Polícia prende quadrilha especializada na imigração de brasileiros pela rota “Caribe”
Fonte: Agência BR NEWS Da redação com agências
Esquema funcionava em Governador Valadares (MG), Guarapari (ES) e Santos (SP). Grupo trazia imigrantes ilegais pela República Dominicana
A Polícia Federal prendeu na quinta-feira, 23, quatro pessoas envolvidas num esquema de imigração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos. A operação batizada de “Zeus” foi deflagrada depois de quatro meses de investigações e aconteceu nos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo.
A ação policial teve início na cidade de Guarapari (ES), onde estava o chefe do grupo, identificado como A.P., 45 anos. Em seguida, autoridades prenderam T.N.R., de 33 anos, em Santos, no litoral de São Paulo.
Em Governador Valadares, o comerciante Boanerges José de Freitas, 26, e o bacharel em direito Juliano Amaro Rodrigues, 30, foram presos por falsificação de documentos. Freitas, que passou pela prisão recentemente acusado de falsificação passaportes portugueses, poderá, ainda, responder pelo crime de formação de quadrilha.
O Esquema
O grupo trazia brasileiros para os Estados Unidos utilizando passaportes e vistos falsificados. Os valadarenses Boanerges e Juliano eram responsáveis pela documentação dos imigrantes. A.P., que ficava no Espírito Santo, era o chefe, e T.N.R., preso em Santos, tinha a responsabilidade de despachar os brasileiros, atuando como “guia” dos ilegais.
A quadrilha utilizava uma rota alternativa denominada “Caribe”. O esquema funcionava da seguinte forma: após pagar os agenciadores, os imigrantes recebiam vistos falsificados e viajavam acompanhados do “guia” até a República Dominicana e a algumas ilhas das Bahamas, onde não são exigidos vistos de brasileiros. Em alguns trechos, a viagem era realizada de barco, até chegar aos Estados Unidos, em regiões onde a polícia costeira não é tão rigorosa.
O trajeto é apontado pelas autoridades brasileiras como a nova rota da imigração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos.
Investigações
Em entrevista ao jornal Diário do Rio Doce, de Governador Valadares, o delegado da Polícia Federal Rui Antônio da Silva afirmou que a quadrilha agia há pelo menos dois anos no esquema de emigração ilegal.
Além dos Estados Unidos, o bando também facilitava a entrada de brasileiros em países Europeus. Na casa de dois dos acusados, em Valadares, foram encontrados diversos documentos, como vistos, carteiras de identidade e certidões de nascimento. Eles falsificavam passaportes e vistos de várias partes do mundo.
Segundo Dr. Rui Antônio da Silva, a cidade mineira continua sendo a base de muitas quadrilhas que atuam na imigração ilegal de brasileiros, por este motivo, a atuação policial no combate aos agenciadores tem que ser constante.
Por se tratar de crime de falsificação, o delegado disse que a polícia federal vai rastrear os “clientes” da quadrilha. Segundo ele, os brasileiros que utilizaram o esquema também serão investigados.