Pré-candidatos democratas debatem discriminação nos EUA
Fonte: Estadão - www.estadao.com.br
Os oito políticos democratas que disputam a candidatura à Presidência dos Estados Unidos prometeram nesta quinta-feira, 28, que lutarão para eliminar a discriminação racial se chegarem à Casa Branca nas eleições de novembro do próximo ano.
A segregação racial foi um dos principais temas analisados pelos pré-candidatos, em um debate que incluiu saúde, impostos, educação, justiça, disparidades econômicas e aids.
O debate de 90 minutos foi realizado na Universidade Howard, em Washington, onde estudam principalmente estudantes afro-americanos.
Foi o terceiro encontro dos aspirantes democratas, que nas duas ocasiões anteriores centraram suas opiniões principalmente na Guerra do Iraque.
O voto da população negra é especialmente importante para os democratas. Analistas políticos consideram que o apoio da comunidade será decisivo nas eleições presidenciais.
No público de maioria negra estavam líderes dos direitos civis, assim como artistas, entre eles o cantor Harry Belafonte.
"O racismo é um dos maiores problemas neste país e o próximo presidente deverá iniciar um diálogo para resolver essa situação", disse Bill Richardson, governador do Novo México e o único hispânico do grupo.
O congressista Dennis Kucinich afirmou que a discriminação infecta todos os níveis da vida americana. "Temos que estabelecer uma política de igualdade, que se expresse sobretudo nas escolas. Todas as crianças devem ter as mesmas oportunidades", disse.
A senadora Hillary Clinton recebeu os maiores aplausos quando afirmou que o racismo foi um dos fatores que influíram na forma de enfrentar o problema da aids nos Estados Unidos.
"Se a aids fosse a causa principal de morte entre as mulheres brancas entre 25 e 34 anos de idade, haveria uma explosão de protestos neste país", afirmou.
"A desigualdade está viva nos EUA e a raça ainda desempenha um papel importante. Temos que trabalhar para eliminar esse problema", disse o senador John Edwards. Ao falar da aids, ele ressaltou o fato de que os negros são metade das vítimas da doença no país, "um número desproporcional".
Barack Obama, o único pré-candidato democrata negro, afirmou que a aids constitui um estigma e deve ser enfrentada de maneira direta e franca. "Não falamos disso nas escolas nem nas igrejas", criticou.
Ainda segundo Obama, a discriminação começa no nascimento. "Temos que reconhecer que há muitos neste país que consideram que isso é aceitável", disse.
Segundo o senador Christopher Dodd, a segregação racial é "uma vergonha" que se manifesta no sistema educacional, ao negar igualdade de oportunidades.
Falando sobre a diferença entre pobres e ricos, a senadora Clinton criticou a atual política tributária do presidente George W. Bush. Para ela, "quem tem mais deve pagar mais".
Richardson prometeu que, se chegar à Casa Branca, aplicará uma política de redução tributária para a classe média e de aumento dos impostos para os mais ricos.
O senador Joseph Biden e o ex-governador Michael Gravel também participaram do debate. O apresentador foi o único governador negro do país, Deval Patrick (Massachusetts).