- Patrão, eu estou “precisado” de ouvir uma boa notícia!
Foi assim que o esfarrapado mendigo pediu ao homem bem-vestido que lhe contasse algo que alegrasse o seu coração. Neste mundo de solitários e necessitados, há uma carência cada vez maior de boas notícias.
Só que elas não existem. Boas notícias são escassas. Já viu que quando toca o seu telefone ou batem à sua porta, muitas vezes você se sobressalta? O que será agora? Que notícias vão me dar, e como as receberei?
Os piores males que assolam as populações das grandes metrópoles são, pela ordem, a solidão e as más notícias. Má notícia, necessariamente, não precisa ser morte, doença, desemprego ou qualquer notícia do genêro. Má notícia pode ser rompimento, partida, perda de algo que se aprecia muitíssimo.
Um dos grandes pesares dos nossos dias é a perda da dignidade; é não termos a capacidade de nos insurgir contra as injustiças, e sequer choramos quando algo nos choca profundamente. São tantas tragédias e infortúnios que sequer temos tempo de nos chocar.
A cada dia que passa os meios de comunicação trazem sempre más notícias das quais não podemos fugir, a não ser que façamos como aquele caso da família bem rica que pagava para imprimir um único exemplar diário de um jornal só com boas notícias para que o patriarca muito doente não se abalasse.
Aqui mesmo, nos Estados Unidos, há pessoas que estão cada vez mais temerosas e preocupadas por tudo que a cada dia se torna pior e sem nenhuma perspectiva de melhora. Basta a Globo veicular uma notícia qualquer acerca do que se passa por aqui, para que os parentes no Brasil fiquem desesperados. Outro dia mesmo o canal veiculou uma matéria sobre os defectos irmãos Rizoli de Framingham, como sempre atacando e desancando todo e qualquer brasileiro que eles julgam como seus inimigos pessoais. Logo, um monte de gente ficou apavorada.
Só que os dois irmãos não fazem mais do que pressão, pois muitos americanos sequer lhes dão crédito, ou seja, nem entre o seu povo eles conseguem crédito, mas como sempre, teimamos em enxergar neles verdadeiras aves de mau agouro.
Aliás, o que não falta são os agourentos de plantão. Para eles não se pode ir na esquina, pois a imigração vai estar esperando lá. Andar de carro, então? Nem pensar. A polícia sempre vai estar espreitando para pegar quem dirige com carteira internacional, ou quem não tem carteira do estado.
E aquela dorzinha insistente nas costas? Logo vira a possibilidade de ser algo maligno, só porque estamos sempre acostumados e preparados para o pior e para as más notícias, que teimam em bater nas nossas portas.
Só que estamos vivos e, melhor, vivendo com intensidade cada dia, mesmo que não nos demos conta disto. Quantos gostariam de estar nos nossos lugares e não podem? Mesmo que não tenhamos tido boas notícias nos últimos tempos, temos de ter sempre a esperança de que dias melhores virão. Portanto, nada de se abalar ou ficar pessimista com o futuro, pois por pior que ele possa parecer e se desenhar, sempre estamos melhor do que o nosso vizinho.
Olhe à sua volta agora, ou na janela da sua sala, e veja quantos solitários estão do lado de fora, e mais ainda – quantos são os que precisam de boas notícias – que pode ser uma palavra de alento, de incentivo, ou mesmo um pequeno sorriso.
Você nunca esteve “precisado” de que alguém parasse ao seu lado e te dissesse boas palavras? Ou nunca sentiu vontade de gritar ao mundo que você está solitário, e quer que alguém se lembre de você?