Fonte: Agência BR NEWS
A sociedade americana não ouve pessoas, só instituições e de preferência as que tenham poder de influência. Também, o que move os políticos é o voto e em grande quantidade de preferência.
Dos povos que moram nos Estados Unidos nós – brasileiros – somos o de menor representatividade parlamentar em qualquer nível, somos um zero à esquerda. A culpa é exclusivamente nossa. Estima-se que mais de 10% dos brasileiros que vivem no país são cidadãos americanos. Por exemplo, em Massachusetts, há cerca de 17 mil brasileiros que são cidadãos americanos, mas estão todos dispersos e sem um mínimo de organização e, com isso, sem representação nenhuma. Se estes brasileiros que são cidadãos americanos se organizassem, poderiam pressionar os políticos locais a oferecer condições melhores para a comunidade.
Mas o que temos visto é a omissão ou a indiferença da maioria destes privilegiados, que, diga-se de passagem, não têm obrigação alguma para com os outros. Mas, o bom senso diz que poderiam, sim, engajar-se nas lutas e dificuldades dos seus compatriotas. A cada vez que uma liderança comunitária vai pedir qualquer coisa às autoridades executivas ou legislativas, a primeira pergunta que se faz é quantos eleitores registrados há na comunidade. Via de regra a resposta é a de que não se sabe ao certo quantos e onde precisamente eles estão.
Diante disso, as respostas são evasivas e de desprezo absoluto para quem nada representa de fato. O que vale é o voto, e sem voto não vamos encontrar boa vontade de ninguém do outro lado do balcão.
É lógico que a sobrevivência e subsistência da comunidade não depende exclusivamente de quem é brasileiro e cidadão americano, mas uma ajuda seria de grande e inestimável benefício. Com 17 mil pessoas poderíamos influenciar muita coisa, poderíamos eleger um representante distrital em Massachusetts, só para ficarmos neste estado, e com um pouco mais de esforço quem sabe até um deputado para nos representar em Washington. E se fossemos considerar New York, Flórida, Califórnia e New Jersey? Quantos representantes poderíamos eleger?
Quem poderiam ser estas pessoa? Há muitos candidatos. Pastores, clérigos, ministros evangélicos, líderes comunitários e empresários de diversas áreas. Quer dizer, o que não falta é gente habilitada, mas cadê o interesse destas pessoas? Vale lembrar que um dia eles – há excessões – passaram e viveram a situação da imensa maioria dos brasileiros – já que estamos falando especificamente da comunidade – e não é certo que virem as costas para os problemas que nos assolam.
Outras comunidades, irlandeses, haitianos, caboverdianos, portugueses, chineses, gregos, croatas e até os albaneses tem voz representativa ou quem defenda os seus interesses, sem contar o povo hispânico, certamente o mais combativo e organizado de todos. Cada um destes povos se organizaram em comunidades, e muitos não tem uma liderança centralizada, mas mesmo assim geralmente conseguem tudo o que querem e precisam.
De que adianta colocar centenas de milhares de pessoas nas ruas marchando e protestando contra tudo e contra todos se nenhum deles tem documentos americanos e, por causa disso, não votam? Os políticos e as autoridades sequer se importam ou atendem aos anseios da massa, mesmo porque não foram eleitos ou escolhidos por eles. O que interessa para eles é quem vota e é para estes eleitores que eles prestam contas e devem satisfação.
Que passo podemos dar para arregimentar estes cidadãos que podem influenciar os políticos e as autoridades americanas? Primeiro cadastrar cada um. Quem poderia fazer isso? Que tal começar pelas igrejas e comunidades? Há também os consulados brasileiros que poderiam ser um ponto de convergência natural e entidades assistênciais, a exemplo da BRAMAS e do Centro do Imigrante Brasileiros, em Massachusetts, que poderiam mobilizar os brasileiros numa campanha nacional. E que comecem logo. Antes que seja tarde demais.