Em 2008 haverá eleições presidenciais nos Estados Unidos, e o cargo mais cobiçado da terra, estará em jogo. Quem ganhará? Democratas ou republicanos? Os pré candidatos são muitos e somente um deles será o escolhido do pulverizado eleitorado americano, já que o voto é facultativo e o sistema é antiquado, confuso e ultrapassado.
Um fato notório é que a sociedade americana não ouve pessoas. Só instituições e de preferência as que tenham poder de influência. Também, o que move os políticos é o voto, e em grande quantidade de preferência.
Dos povos que moram na América nós – brasileiros – somos o de menor representatividade parlamentar em qualquer nível, somos um zero à esquerda. A culpa é exclusivamente nossa. São milhares de brasileiros que possuem a cidadania americana e portanto, têm direito a voto, mas estão todos dispersos e sem um mínimo de organização, e com isto sem representação nenhuma. Se estes brasileiros que são cidadãos americanos se organizassem, por exemplo, poderiam pressionar os políticos locais a oferecer condições melhores para a comunidade.
Poderíamos ter a exemplo de outros povos representantes legislativos, mas o que temos visto é a omissão ou a indiferença da maioria destes privilegiados, que diga-se de passagem não têm obrigação alguma para com os outros. Mas, o bom senso diz que poderiam sim, engajar-se nas lutas e dificuldades dos seus compatriotas. Cada vez que uma liderança comunitária vai pedir qualquer coisa às autoridades executivas ou legislativas, a primeira pergunta que se faz é quantos eleitores registrados há na comunidade. Via de regra a resposta é a de que não se sabe ao certo quantos e onde precisamente eles estão.
Diante disto, as respostas são evasivas e de desprezo absoluto para quem nada representa de fato. O que vale é o voto e sem voto não vamos encontrar boa vontade de ninguém do outro lado.
É lógico que a sobrevivência e subsistência da comunidade não depende exclusivamente de quem é brasileiro e cidadão americano, mas uma ajuda seria de grande e inestimável benefício. Com estes milhares, poderíamos influenciar muita coisa, poderíamos eleger representantes distritais em muitos estados, e com um pouco mais de esforço quem sabe até deputados para nos representar em Washington.
Quem poderia ser esta pessoa? Há muitos candidatos. Pastores, clérigos, ministros evangélicos, líderes comunitários e empresários de diversas áreas. Quer dizer, o que não falta é gente habilitada, mas cadê o interesse destas pessoas?
Vale lembrar a cada um que um dia eles – há excessões – passaram e viveram a situação da imensa maioria dos brasileiros – já que estamos falando especificamente da comunidade, e não é certo que virem as costas para os problemas que nos assolam.
Outras comunidades – irlandeses, haitianos, caboverdianos, portugueses, chineses, gregos, croatas e até os albaneses, têm voz representativa, ou quem defenda os seus interesses, sem contar o povo hispânico, certamente o mais combativo e organizado de todos.
Cada um destes povos se organizaram em comunidades, e muitos não têm uma liderança centralizada, mas mesmo assim geralmente conseguem tudo o que querem e precisam.
Os políticos e as autoridades sequer se importam ou atendem os anseios da massa, mesmo porque não foram eleitos ou escolhidos por eles.
O que interessa para eles é quem vota e é para estes eleitores que eles prestam contas e devem satisfação.
Que passo podemos dar para arregimentar estes cidadãos que podem influenciar os políticos e as autoridades americanas? Primeiro cadastrar cada um. Quem poderia fazer isto? Que tal começar pelas igrejas e comunidades? Há também as entidades representativas espalhadas pela América, principalmente onde há brasileiros. E que comecem logo. Antes que seja tarde demais.
Temos de saber que o compromisso dos políticos americanos é com quem vota – ou pode votar, e está é a única linguagem que eles entendem – eleitor e voto. O resto é tudo indocumentado…