Fonte: Agência BR NEWS Glênio Bongiolo
O acordo bipartidário sobre a reforma migratória alcançado pelos senadores trouxe alegria para a comunidade brasileira. Mas ao mesmo tempo, o anúncio da proposta também levantou muitas dúvidas entre os imigrantes, fazendo com que as posições em relação à medida estejam bastante distintas.
A principal dúvida entre os imigrantes é sobre o que acontecerá no prazo entre a aprovação da lei e a aplicação das medidas de fortalecimento da segurança nas fronteiras. Neste período, a proposta diz que os imigrantes ficarão em estado probatório, mas sem visto. Este somente será concedido na medida em que certas exigências forem alcançadas. Essas exigências envolvem a criação de muros, grades, utilização de radares e aviões não-pilotados na região fronteiriça dos Estados Unidos com o México.
“Eu quero saber se neste meio tempo eu vou ganhar um Social Security e uma carteira”, questiona Aurélio Tomasino, morador de Stow, (MA). A proposta diz que os imigrantes deverão se manter empregados e com a ficha criminal limpa durante o período de espera. “Mas como podem fazer isso se trabalhar sem papel e dirigir com carteira do Brasil é considerado fora da lei?”, pergunta Tomasino.
Outra dúvida da comunidade é se, com a lei aprovada, eles poderão visitar o Brasil. A proposta diz que as pessoas que queiram receber o green card deverão sair dos Estados Unidos para fazer esta solicitação em qualquer Consuldo ou Embaixada americana no exterior. Ela não especifica, porém, se os imigrantes poderão viajar durante o estado probatório ou com o visto Z.
“Assim que aprovarem a lei, eu pego um avião e vou visitar minha família na hora. Faz três anos que não vejo meu pai e minha mãe.”, conta Alessandra Nunes, de Lowell (MA) “E eu não sou a única, se eles deixarem, vai ter fila no aeroporto de brasileiro indo para o Brasil.”, aposta a jovem.
Os entrevistados também se mostraram cautelosos em relação à obrigatoriedade de sair dos Estados Unidos para solicitar o green card. “O problema não é ir para o Brasil, mas sim saber se eles vão deixar eu voltar para os Estados Unidos. Eu descofio que eles mandem a gente embora e depois nós não conseguimos mais entrar. Já imaginou, ter que ficar pegando fila no consulado em São Paulo para tentar pegar visto de novo, depois de ter ficado aqui ilegalmente?”, indaga Nunes.
Os valores a serem pagos nas multas também confundiram alguns brasileiros. Alguns deles, como o pernambucano Fernando, acredita que o preço seja justo. “Cinco mil dólares parece um preço razoável, ainda mais que você não precisa pagar tudo de uma vez. Sai mais barato do que pagar por um casamento arranjado.”. De acordo com a proposta, os imigrantes buscando legalização devem pagar duas multas, a primeira de U$1 mil, para receber o visto Z, e depois uma segunda multa de U$4 mil, para solicitar o green card.
Mas nem todos concordam com os valores. “O povo pensa que só vai ter que pagar 5 mil, mas você tem que somar a isto o preço do advogado. Eles também falaram que vamos ter que pagar as taxas atrasadas dos anos em que estivemos aqui. Quem acha que vai pagar só 5 mil e sair de green card na mão, está muito enganado.”, discorda Tito Nunes, de Maynard (MA).
Empregadores que trabalham com funcionários imigrantes indocumentados também estão apreensivos. A lei diz que os imigrantes deverão pagar taxas atrasadas, isto implica apontar onde estiveram empregados nos últimos anos. “É importante que haja uma anistia aos empregadores, senão muita gente corre o risco de perder o emprego.”, explica Nikolai Spapadopoulos, um grego dono de uma pizzaria em New Hampshire.
A última questão surge para aqueles imigrantes que vieram pelo México e foram pegos pela imigração e liberados na sequência, no sistema de “catch and release”. Como eles não compareceram à audiência na Corte, na maioria dos casos, foram condenados à deportação. A lei não deixa claro se esta falta suja o histórico dos imigrantes, podendo ser um empecilho para um grande número de brasileiros que chegaram no país nos últimos anos.
Há mesmo muitas dúvidas. Essa exigência do "Chefe de Família" ter de voltar ao seu país de origem e, de lá, solicitar a sua reentrada gera, talvez, a dúvida mais importante. Isso porque primeiro vão cuidar de impossibilitar futuras contratações de indocumentados. Isso quer dizer que nós teremos mesmo de irmos ao Brasil para podermos continuar aqui. Ao mesmo tempo vão reforçar a fronteira. Isso quer dizer que ninguém mais irá conseguir pular o muro. Agora imagina: o "Chefe de Família" está no Brasil e não consegue obter um novo visto de entrada. O que a esposa e filhos que ficaram aqui irão fazer? Irão embora, claro! Trata-se de uma deportação em massa sem custo algum para o governo americano. Posso estar enganado e espero mesmo que sim! Apesar do pessimísmo estou torcendo para que tudo de melhor aconteça para todos os imigrantes, exceto os criminosos.
Sobre quem teve corte e não compareceu e agora quer se regularizar... segundo a lei, pessoas nessa situação já são criminosas.
O Tito discorda do valor e eu discordo do Tito. Impostos devem ser pagos, no Brasil e aqui. Se alguém não pagou o que deveria ter pago, pagará agora e com multas. Sobre a relação entre o dever de pagar impostos e o direito de regularizar seu status, não preciso dizer mais nada, né mané?
Há várias razões pelas quais muita gente resolveu não declarar imposto de renda aqui. Alguns acharam que ficariam aqui por muito pouco tempo. Outros ficaram com medo se tornarem vizíveis aos olhos do governo. Outros porque aprenderam direitinho a "Lei de Gerson" e outros ainda porque acharam que estariam pagando mais impostos, além daquilo que já havia sido deduzido de seus contra-cheques. E há ainda aqueles que sempre receberam "in Cash", por isso acharam que não deveriam declarar nada. Uma coisa há em comum em todos os casos: a desinformação. Mas agora não adianta mais reclamar dos Josés, Marias, Pedros, Paulos etc. porque foram eles os orientadores dos recém-chegados. Muitos desses "experts" nem sabem falar e escrever corretamente o seu próprio idioma, muito menos interpretar um texto de um jornal.
Confesso que não me lembro de ter lido nada sobre a necessidade da contratação de um advogado para esse processo de regularização. Talvez seja muito bem aconselhado para os casos mais complicados como para as pessoas que cometeram crimes, cruzaram a fronteira sem o visto de entrada, têm corte marcada, possuem esposa e/ou filhos no seu país, etc.
Em todo caso, como já disse, estou torcendo muito para que todos, menos os criminosos, sejam beneficiados por essa futura lei.
Um abraço a todos!
Gerson Liebert - Kearny 5/29/2007 6:59:43 PM
Concodo nos dois comentarios,como vamos ficar nessa.
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