O FBI tem violado de forma generalizada suas próprias normas na obtenção de gravações telefônicas, e-mails e transações financeiras de cidadãos americanos, segundo um relatório interno revelado hoje pelo jornal "The Washington Post".
A agência federal americana infringiu sua norma mais de mil vezes nos últimos anos, diz o documento. Foram analisados 10% dos casos investigados pelo FBI desde 2002, diz o site do jornal.
O número de abusos descobertos é muito superior ao documentado num um relatório anterior do Departamento de Justiça, divulgado em março, e que tinha encontrado 22 violações.
A maioria dos abusos se refere a casos nos quais companhias telefônicas e provedores de internet forneceram gravações e e-mails não solicitados pelos agentes, sem autorização.
Apesar de tudo, os funcionários do FBI guardaram a informação, na maior parte dos casos relativa a atividades suspeitas de terrorismo ou espionagem.
Os abusos aumentaram por causa dos atentados de 11 de setembro de 2001, segundo o "Washington Post". O jornal afirma que só em 2005 foram enviados cerca de 20 mil requerimentos de informação ("national security letters"). Eles permitem ao FBI gravar telefonemas e obter dados financeiros e sobre negócios sem autorização judicial.
Com a aprovação da Lei Patriótica, que acentua as medidas antiterroristas, foi eliminada a necessidade de agentes federais argumentarem razões específicas para os requerimentos. Atualmente, eles só precisam dizer que os dados são relevantes para uma investigação.