As remessas de dinheiro de imigrantes brasileiros no exterior caíram 4% no ano passado. A valorização do real em relação ao dólar é apontada como a principal causa dessa redução.
Segundo dados publicados no jornal Financial Times, o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento, teria levantado que cerca de 350 mil brasileiros que vivem no exterior mandaram para casa US$ 7,08 bilhões em 2007, contra US$ 7,4 bilhões enviados no ano anterior.
A queda das remessas para o Brasil contrasta com o crescimento nos anos anteriores - em 2001, essa cifra somava US$ 2,1 bilhões, segundo os dados do BID.
O envio de recursos para a América Latina continuou aumentando no ano passado, alcançando US$ 66,5 bilhões ou 7% a mais que em 2006. Ainda assim, essa é a menor taxa de crescimento em uma década, resultado da desaceleração econômica dos Estados Unidos e do combate à imigração ilegal, combinado com o fortalecimento da economia brasileira.
O Brasil é o segundo maior receptor de remessas de dinheiro feitas por imigrantes na América Latina. O México lidera o ranking, recebendo US$ 23,9 bilhões em 2007.
As remessas para o Brasil representam apenas 1,1% do PIB nacional, enquanto em países africanos, como Eritréia e Guiné Bissau, essa proporção beira os 40% ou 50%.
A reportagem do Financial Times afirma que a queda nas remessas não é reflexo apenas da taxa de câmbio, mas também do crescimento da economia brasileira como um todo, que abre oportunidades para imigrantes em seu país de origem.
"Os atrativos da florescente economia brasileira estão levando muitos emigrantes a voltar dos Estados Unidos para casa", escreve o repórter. "Há evidência de que muitos brasileiros em torno de Boston - um tradicional reduto de imigrantes brasileiros - estão fazendo exatamente isto."
Segundo as estatísticas do BID, quase metade das remessas para o Brasil vem dos Estados Unidos. Outros 31% vêm da Europa - sobretudo de Portugal, Itália, Inglaterra e Espanha - e 19% vêm do Japão.