Não poderia haver instante mais negro, tenebroso e obscuro do que este que estamos vivendo aqui nos Estados Unidos. A crise financeira definitivamente se instalou e parece não querer ir embora tão cedo para pavor das instituições financeiras e governamentais, principalmente a federal.
O dinheiro sumiu da praça e a sociedade se ressente disto, deixando de comprar – pois não há quem compre, de vender, pois os preços estão como dizemos lá no Brasil, na bacia das almas, e até os empregos estão ameaçados.
A construção civil é sem dúvida o setor mais atingido e as falências têm sido inevitáveis. Os grandes e fortes conglomerados de ontem são frágeis empresas de hoje, e estarão menores ainda amanhã.
A impressão que se tem é a de que os analistas financeiros jamais esperariam que a crise tomasse as proporções gigantescas que tomou abalando as finanças da maior potência do mundo, e ainda não sabem quais serão os efeitos dela, e quanto tempo durará.
Ou seja, todos estão perplexos, e cabe agora ao governo agir para que os efeitos não sejam mais devastadores ainda do que já estão sendo.
Sem contar que desta vez a corda arrebentou para todos e não somente para o lado mais fraco, pois ao que parece ela – a corda – estava podre em toda sua extensão.
Como as notícias correm, é possível saber que no Brasil não há crise financeira, e por conta disto muitos brasileiros têm abandonado os seus sonhos americanos e voltado para casa, alguns deixando anos de lutas e de árduo trabalho na esperança de que lá do outro lado do Atlântico as coisas sejam mais fáceis.
Só que aquilo que parece não é, pois muita gente que tem ido embora, se manifesta pesaroso constatando que a crise americana vai passar logo, enquanto que a prosperidade brasileira é aboslutamente instável, o que faz com que muitos se dêem conta de que é melhor ficar e enfrentar a crise aqui, do que se arriscar a ir e não ter como voltar depois.
Sim, as coisas por aqui no campo da imigração estão cada dia mais difíceis e complicadas, mas não tão pior do que já foi no passado.
Viver na América para quem não é documentado pode ser um pesadelo ou um período de esperança de que dias melhores e mais prósperos virão. Basta estudar e ler um pouco a história de outros povos para ver que as dificuldades enfrentadas neste instante foram devidamente superadas em outras épocas, talvez piores do que esta que estamos vivendo.
A grande diferença é que hoje tudo esta intrinsecamente ligado, conectado, plugado em computadores que revelam a vida de qualquer um em questão de minutos, o que aumenta consideravelmente o risco de muitos.
É certo que o fluxo migratório de muitos povos como os italianos, gregos, portugueses, irlandeses, entre outros, diminuiu consideravelmente, mas os que estão aqui não pensam em ir embora pois estão definitivamente integrados à vida e aos costumes da América. Foram povos que lutaram com tenacidade para conquistar o seu espaço e sequer cogitam abrir mão dele, mesmo que lá no início tenham chorado lágrimas amargas, tal como muitos de nós estamos fazendo neste instante.
Permaneceram porque não tiveram medo do futuro, mesmo que ele se mostrasse negro, tenebroso e obscuro como agora. Fizeram uma aposta de que dias melhores viriam, mesmo que para a maioria deles parecesse distante ou inatingível. Investiram os seus melhores dias e certamente não se arrependeram de nada.
Nada do que estamos vivenciando é novidade por aqui. Crises financerias sempre existiram. Instabilidades também. Dificuldades com leis que jamais eram promulgadas, idem, do mesmo modo que sempre teve gente indo embora.
Logo, comprar a passagem de volta pode não ser a melhor saída neste instante, em que a expectativa de um futuro melhor – muito próximo – vai acontecer. Essa é a melhor expectativa que podemos ter ficando na América.