Senado negocia emendas de projeto de lei de reforma migratória
Fonte: Último Segundo/Agência EFE
Líderes do Senado norte-americano continuaram negociando ontem cerca de 20 emendas ao projeto de lei de reforma migratória que provavelmente será debatido na próxima semana, enquanto a Casa Branca defende os benefícios da imigração para a economia nacional.
Fontes legislativas disseram hoje à Efe que tanto democratas como republicanos continuam hoje trabalhando nas emendas ao projeto de lei de reforma migratória, que está na corda bamba por causa de objeções republicanas para a legalização dos imigrantes ilegais.
Por enquanto, e embora tudo possa mudar com um tema tão polêmico, os senadores chegaram a uma tentativa de acordo sobre cerca de 24 emendas - 12 de cada partido -, em um esforço para resgatar a legislação.
O líder do bloco majoritário democrata no Senado, Harry Reid, retirou a lei do plenário no último dia 7 por causa de uma disputa partidária.
Agora, os favoráveis à reforma aceitaram de má vontade algumas emendas para contentar os detratores e conseguir um maior apoio bipartidário. Também aceitaram a inclusão de cerca de US$ 4,4 bilhões para reforçar a segurança fronteiriça.
Assim, quando o plenário do Senado retomar o debate migratório, possivelmente na próxima segunda ou terça, os conservadores terão conseguido colocar na discussão algumas emendas para restringir, ou inclusive eliminar, os benefícios migratórios para os imigrantes ilegais.
A senadora republicana Kay Bailey Hutchinson (Texas), por exemplo, promove uma emenda que exigiria que todo imigrante clandestino retorne a seu país de origem para solicitar a residência permanente.
Hutchinson disse hoje que apóia o programa de trabalhadores hóspedes e alguma resposta viável para os 12 milhões de imigrantes ilegais nos EUA - dois dos componentes da reforma migratória -, mas se opõe a um tratamento preferencial para estes.
Outra emenda republicana, do senador Chris Bond, negaria o "green card" para que obtenham o visto "Z", uma permissão temporária que seria dada a todo imigrante ilegal que entrou no país antes de primeiro de janeiro de 2007.
Enquanto isto, a emenda do republicano John Ensign negaria benefícios da Seguridade Social para aqueles que trabalharam como imigrantes ilegais antes da aprovação da reforma.
Do lado democrata, a maior parte das emendas têm ligação com a reunificação familiar e várias modificações no sistema de pontos por meio do qual as autoridades concederiam residência permanente de acordo com as qualificações trabalhistas dos solicitantes.
O projeto de lei contém elementos para a vigilância fronteiriça e punições para aqueles que contratarem imigrantes ilegais, mas também tenta tirar da sombra os marginalizados pela falta de "papéis".
Enquanto isto, grupos a favor da reforma, como a federação sindical AFL-CIO e a Dreamers for América, pediram hoje que o Senado proteja os direitos trabalhistas dos imigrantes e que se "construam pontes que lhes permitam alcançar o Sonho Americano".
Já a Casa Branca divulgou hoje um relatório no qual destaca o efeito positivo dos imigrantes no desenvolvimento econômico dos EUA.
O estudo, elaborado pelo Conselho de Assessores Econômicos, revelou que o aumento na receita dos americanos procedente do rendimento dos imigrantes se situa em mais de US$ 30 bilhões por ano.
A imigração aumentou a média dos salários dos americanos entre um 0,7% e 1,8% desde 1990, diz o relatório.
Os imigrantes, que em 2006 formaram 15% da força de trabalho no país, tendem a "completar e não a substituir" os nativos com seus trabalhos, acrescentou.
Apoiando-se em informações do Departamento de Trabalho, o relatório também indicou que, nos últimos dez anos, os imigrantes foram responsáveis por aproximadamente metade do crescimento do emprego no país.
O estudo desvirtua os argumentos dos conservadores de que os imigrantes são uma carga pública. No entanto, a verdade é que acontece justamente o contrário, eles e seus descendentes pagam mais impostos do que recebem em serviços públicos.