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4/18/2008 - 16:9

Sucesso na crise


Fonte: Agência BR NEWS

Juliana Melo

Empresas que trabalham com viagens, mudanças e vendas de imóveis no Brasil resistem à crise econômica. Atentas a novos negócios, companhias obtêm lucro e vêem futuro com otimismo.



A crise econômica que atinge os Estados Unidos não afetou o lucro de algumas empresas que prestam serviços para a comunidade brasileira.

Apesar de a maioria das companhias lamentarem o difícil momento que o país está vivendo, um grupo de empresários está conseguindo manter seus rendimentos estáveis e planeja, até mesmo, expandir seus negócios nos próximos meses.

A empresa de mudanças Brasil Courier integra esse grupo que vê o presente e o futuro com otimismo. O faturamento da companhia cresceu 30% em relação ao mesmo período do ano passado e os proprietários têm planos de inaugurar novas unidades nas próximas semanas. “Na primeira quinzena de abril abriremos uma filial em Newark, na Merchand Street, e em seguida planejamos ingressar no mercado de Framingham, em Massachusetts”, conta o diretor Thiago Bayde.

A explicação para o sucesso em meio à instabilidade econômica combina dois fatores: ao mesmo tempo em que o mercado de envio de caixas e mudanças aqueceu com a volta de imigrantes para o Brasil, a empresa investiu em melhorias no serviço prestado. “Não acho que a culpa de nosso sucesso seja apenas dos brasileiros que estão indo embora.

Atuamos num mercado bastante competitivo e, se não fosse nosso empenho em mudar a logística, contratar funcionários qualificados e firmar boas parcerias, provavelmente não estaríamos tão prósperos como agora”, avalia.

Thiago considera que a Brasil Courier fez um bom trabalho comercial, garantindo um futuro promissor. “Apesar de saber que a crise não acabará logo, não tememos pelo futuro. Estamos fazendo parcerias com grandes empresas e queremos, cada vez mais, otimizar nossa estrutura para que ela siga resistente às oscilações do mercado”.

Bom momento

Na opinião de Carolina Melo, vice-presidente de marketing da Fastway Moving, alguns setores têm a sorte de serem beneficiados pelos negócios gerados pelo momento econômico e pela época do ano, afinal, primavera e verão são estações que movimentam a economia.

“Ainda que as previsões apontem para uma recessão nos próximos meses, não nos preocupamos porque os meses de abril a setembro são muito bons para quem atua com mudanças”, disse.

Apesar da crise não ter afetado a Fastway, Carolina comenta que a maior dificuldade enfrentada pela empresa nos últimos meses foi repassar aos clientes o aumento do valor cobrado por transportadoras, em função dos reajustes do petróleo. “Numa época delicada como essa, em que todos estão cortando gastos, é complicado fazer reajustes, mas felizmente não fomos prejudicados e estamos conseguindo manter nossa empresa estável”, conta.

Ajustando o foco

A agência de viagens World Trade Travel também está imune à crise. O gerente Mário Rodrigues atribui o sucesso da empresa à preocupação em criar serviços e produtos que atendam diferentes tipos de clientes. “Investimos naqueles clientes habituais que anualmente planejam suas viagens de férias com a família e também em executivos que viajam a negócios”, fala.

Segundo Rodrigues, a busca por pacotes de viagens está normal para essa época do ano. A diferença, diz ele, está no fato de que muitos pesquisam destinos mais próximos, cujas passagens aéreas custam menos, e solicitam parcelamentos maiores. “Os negócios estão bons e aumentaram 20% em relação aos últimos anos. Sentimos que vários clientes alteram o destino, mas não deixam de viajar”, completa.

Bons ventos para o comércio de imóveis no Brasil

As facilidades de crédito imobiliário no Brasil estão favoráveis para as corretoras que atendem imigrantes.

Pablo Maia, proprietário do Pablo Maia Group, de Massachusetts, considera que o mercado está ótimo para quem comercializa imóveis em terras brasileiras. “Enquanto aqui nos EUA estamos vivendo um período de estagnação, onde apenas investidores estão adquirindo imóveis, o mercado imobiliário brasileiro está favorável e os imigrantes estão aproveitando as facilidades”, afirma. “Hoje em dia é possível comprar um imóvel no Brasil apenas com RG e CPF”.

A explicação para esse fenômeno é simples: a expansão do crédito, a queda dos juros e os prazos mais longos aqueceram as vendas no Brasil, principalmente de imóveis novos, que estão custando cada vez menos. “Toda crise, tem oportunidades e esse é, sem dúvida, o grande momento para quem quer ter um imóvel no Brasil”, finaliza.
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