Fonte: Agência BR NEWS Jehozadak Pereira
O coração do ser humano é incerto e, às vezes, ingrato. Incerto porque o que é convicção hoje pode se tornar a obsessão de amanhã, e ingrato porque tem razões que a própria razão desconhece.
Este parece ser o destino do presidente venezuelano Hugo Chávez, que até pouco tempo atrás era tido como a maior liderança de esquerda surgida nos últimos tempos, mas aos poucos mostra o que realmente é e sempre foi – um ditador intrometido e inoportuno. Fissurado na idéia de que será o grande líder da revolução bolivariana (?), Chávez que fazer dos países sul-americanos uma extensão da “sua” Venezuela.
A esquerda mundial, ávida por uma nova liderança, desde que o comunismo e o socialismo entrou em colapso, faz de tudo para justificar as atitudes cada vez mais tresloucadas de Chávez. No começo, as suas bravatas eram até interessantes, mas com o passar do tempo, o que se vê é um projeto de ditador cada vez mais audacioso e, ao que parece, fora de si e de controle.
A questão é que os atos de Chávez estão cada vez mais difíceis de serem explicados. Na sua obsessão por ser notícia e aparecer, fustigou e atacou Bush, seja fazendo piadas e ridicularizando-o, como na ONU, onde chamou o presidente americano de demônio e disse que a tribuna cheirava a enxofre. Depois aliou-se a Mahmud hmadinejad, presidente do Irã e inimigo declarado da nação americana.
Resentido com a RCTV, até então a principal emissora de televisão venezuelana que, segundo Chávez, apoiou e conspirou num golpe de estado em 2002 que o deixou fora do poder por dois dias, o presidente resolveu que era hora de se vingar e não renovou a concessão para que canal continuasse no ar. Um dos indicadores mais confiáveis de uma democracia é a imprensa livre. Em qualquer lugar no mundo é assim. Quando um governante se sente incomodado, a primeira coisa que faz é censurar e calar a imprensa. Os países totalitários e com governos ditatoriais logo apelam para este recurso.
Talvez Chavéz tenha se inspirado no seu grande guru, o dinossáurico Fidel Castro, que controla a imprensa cubana com mão de ferro, além de prender poetas e jornalistas. Nem a ditadura brasileira ousou tanto. Ao colocar censores dentro das redações, o governo militar de direita pensou que podia calar a imprensa. Não calou não.
Corajosamente a imprensa não se submeteu e fez ver que estava sob feroz censura. Muitas vezes, os editores e donos de jornais ludibriavam os censores, que eram tapeados como são os ditadores do calibre de Chávez e Castro. A imprensa é o indicador de que as liberdades civis estão em pleno vigor. Furioso com as reações mundo afora, Chávez se volta contra o Congresso brasileiro e o ataca duramente, dizendo que o parlamento brasileiro é um papagaio de Washington, pois repete tudo aquilo que o seu similar americano manda.
Richard Nixon foi apeado do poder por causa da imprensa. A história pode ser vista em Todos os Homens do Presidente – livro e filme, que contam como Carl Bernstein e Bob Woodward, jornalistas do Washington Post, investigaram o arrombamento da sede do Partido Democrata em Washington a mando de Nixon. O escândalo Watergate foi a confirmação definitiva de que nem os governantes estão a salvo de serem investigados pela imprensa, e que o papel desta é publicar as verdades que jamais o cidadão comum teria acesso.
Em 1986, a revista Newsweek, do mesmo grupo que o Washington Post, publicou uma matéria com o título “A Reabilitação de Richard Nixon”. Na ocasião, o ex-presidente encontrou Katherine Graham, dona do jornal que o derrubou. Nixon abriu um sorriso e apertou com força a mão da empresária. A platéia aplaudiu.
Já o troglodita Chávez prefere calar a imprensa e já se pergunta qual será o próximo veículo de comunicação venezuelano que experimentará da sua fúria. Pelo andar da carruagem, Chávez vai acabar como um tocador de bumbo em algum povoado venezuelano, o que seria muito engraçado. E por falar em graça, há quem prefira um outro Chávez, aquele que é acompanhando pelo Seu Madruga, a Dona Florinda, o Quico, o Seu Barriga e a Chiquinha…