Trabalho é o que atrai imigrantes, não chance de nova lei
As oportunidades no mercado de trabalho são a maior causa do "efeito chamada" para atrair estrangeiros a um país, e não as regularizações de imigrantes ilegais promovidas por uma nação, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
"O 'efeito chamada' é o mercado de trabalho", disse hoje o autor do relatório anual da organização sobre imigração, Jean-Pierre Garson, que minimizou o fato de uma parte dos estrangeiros que moram nos países-membros da OCDE ser de imigrantes ilegais.
Em entrevista coletiva, Garson apresentou o relatório Perspectivas de Migrações Internacionais 2007 e lembrou que "a história da imigração é, em grande parte, uma história de clandestinidade" e que o estatuto do imigrante ilegal costuma ser um fenômeno temporário.
O responsável da organização acrescentou que os fatos desmentem os temores de alguns países europeus sobre a chegada em massa de imigrantes a partir de outros Estados da União Européia (UE) que realizaram ações de regularização ou que têm uma lei menos rígida no controle de entrada.
Garson, que é o responsável pela divisão de migrações internacionais da OCDE, atrelou a entrada de estrangeiros à oferta de emprego. Além disso, quando ocorrem regularizações excepcionais sucessivas em um país, o motivo geralmente reside no fato de os procedimentos anteriores "não terem sido bem feitos".
Gurría afirmou que, nos países de destino, os imigrantes ocupam cargos que requerem uma qualificação muito menor que a que possuem e que esta tendência "é particularmente maior" no caso das mulheres.
O mexicano insistiu ainda na contribuição em termos financeiros que os imigrantes oferecem a países envelhecidos.
Em geral, são pessoas mais jovens e mais ativas no trabalho que o resto da população e que contribuem com suas cotas para manter a Previdência Social. Além disso, pelo menos no início, estes indivíduos não representam encargos sociais.
"A imigração é uma das soluções", afirmou Gurría, que acredita que a chegada de trabalhadores jovens que ajudem a financiar o sistema de previdência social "dá tempo para a negociação" sobre as formas de garantir sua sustentabilidade a longo prazo.
De acordo com as projeções da OCDE, a maioria dos países-membros da organização perderia população ativa entre 2005 e 2020 caso não houvesse contribuição de imigrantes, principalmente Japão, República Tcheca, Itália, Finlândia, Espanha e Alemanha, onde as quedas seriam maiores que 5% neste período.