Tragédias envolvendo brasileiros marcam a semana em MA
Fonte: Agência BR NEWS Glênio Bongiolo
A vida dos brasileiros nos Estados Unidos pode ser bem complicada. Muito trabalho, falta de documentos e distância da família e amigos não são situações muito fáceis de serem contornadas. Soma-se a isto as tragédias pessoais às quais todos estamos sujeitos e que nos fazem refletir sobre a validade da escolha de deixar de lado a terra natal e aventurar-se em um país onde nem sempre somos tratados com o respeito que nos é devido.
O pernambucano Eraldo Bezerra, morador da cidade de Lowell, sofreu uma dessas decepções na semana que passou. Em uma ação que lembrou os atos dos traficantes do Rio de Janeiro, Eraldo teve seu carro reduzido a cinzas na noite de sexta feira. Obra de um vândalo, que, segundo testemunhas, estava drogado e já havia tentado invadir algumas casas da redondeza na mesma noite.
Eraldo não pode trabalhar devido a problemas de saúde decorrentes de seu último emprego. Na noite fatídica, o pernambucano, de 62 anos, emprestou seu carro para o irmão trabalhar. Ao chegar do trabalho, ele estacionou o veículo na Central St e foi dormir. Por volta das 2 horas da manhã, foi acordado pelo barulho das sirenes da polícia e do corpo de bombeiros, que já estavam no local e prenderam o responsável pelo incêndio. Não foi possível identificar a identidade do contraventor, embora ele tenha sido apontado como um imigrante de origem Cambojana.
Além de perder o carro, Eraldo ainda teve que pagar U$150 pelo reboque do que restou dele. “Eles queriam me cobrar U$230, mas eu negociei”, conta o brasileiro. Não se sabe se ele irá receber alguma idenização pelo crime. “Meu cunhado é que está indo atrás disso. A polícia só me deu um papel e não soube nos informar nada.”. A agência de seguros também não se responsabilizou pelo ocorrido, uma vez que o seguro do carro era apenas parcial.
Em outro ponto do estado, mais uma tragédia comoveu a comunidade. Desta vez, a depressão levou o jovem Diego Souza, de 25 anos, a se suicidar. O rapaz, que tinha perspectivas de um futuro promissor, atirou-se, na última quinta feira, da ponte Tobin Bridge, em Boston, nas águas do Charles River.
O fato chocou tanto a família como os amigos do rapaz. Diego era universitário, tinha um bom emprego, estava planejando casar e, o que para muitos é apenas um sonho distante, tinha Green Card.
Segundo descrição de sua tia, Diego era um rapaz determinado, trabalhador e que sempre corria atrás de seus sonhos. Ele havia se formado em Business pelo Bunker Hill Comunity College e, após muitos anos trabalhando no supermercado Market Basket, foi aceito pela conceituada empresa de transportes DHL.
Mas já havia tempo que Diego estava sofrendo em silêncio as pressões da vida na América. Nos últimos meses tentou por diversas vezes desabafar com amigos e parentes. Na segunda feira que antecedeu a tragédia, desabafou com uma tia, dizendo que estava se sentindo muito pressionado e procurando um emprego “part-time”. Ele sustentava a família no Brasil, além de pagar a faculdade da irmã e seus estudos.
Amigos e parentes lembraram do jovem como alguém sempre disposto a ajudar, e que ficará na memória como alguém simples e humilde, mas com grandes sonhos e um coração de ouro.