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10/18/2007 - 13:9

Um cadáver insepulto


Fonte: Agência BR NEWS

Há dois anos, o eletricista brasileiro Jean Charles de Menezes foi assassinado a sangue frio por agentes ingleses da Scotland Yard com sete tiros na cabeça sem a menor chance de defesa, pois agora se sabe que as balas usadas eram para matar instantaneamente. Este tipo de munição é de uso constante de tropas e batalhões especiais, pois ao atingir o seu objetivo ela deixa o alvo totalmente paralisado e não permite a menor reação. O mais grave de tudo é que se sabe agora que mesmo não sendo o suposto terrorista procurado, a ordem para atirar em Jean Charles foi dada.



No julgamento para avaliar a força-tarefa que seguia o brasileiro, desde que ele saiu da sua casa para trabalhar, os 11 policiais envolvidos na caçada foram absolvidos. O que se busca saber agora é se essa mesma tropa colocou em risco a segurança de outros passageiros e de pessoas que estavam próximas de Jean Charles, o que faz com que os detalhes mórbidos do caso venham à tona.

Os detalhes são de arrepiar e, mesmo assim, os assassinos de Jean Charles de Menezes vão escapar impunes. Logicamente, a segurança de uma nação é primordial em todos os sentidos, e naquele instante – julho de 2005, Londres estava ainda sob o forte impacto de um atentado terrorista fracassado ocorrido um dia antes da morte de Jean Charles.

Os níveis de segurança eram altíssimos e Jean Charles chamou a atenção por supostamente se parecer com terrorista que morava no mesmo prédio que ele. A tensão estava presente em todos os escalões governamentais, e havia também a necessidade de se dar uma satisfação à opinião pública, mas o que eles conseguiram produzir foi um cadáver, com aparentes razões de estado.

Se a sociedade inglesa esperava ação e eficiência de uma das melhores polícias do mundo, o que conseguiram ver foi uma ação estabanada e desastrada, que os expôs ao ridículo diante do mundo.

As autoridades dizem que a atitude suspeita de Jean Charles colaborou para que ele fosse seguido até o mêtro de Londres, e mesmo a identificação dele sendo negativa, a polícia continuou com a operação que terminou com a sua morte.

O sistema judiciário inglês não prevê nenhum tipo de indenização milionária para a família do brasileiro, mesmo que ele tenha morrido por engano, e mostra sobretudo, o quanto o imigrante está despreparado e totalmente vulnerável a este tipo de ocorrência.

As autoridades sabiam que Jean Charles era um imigrante, mas é custoso acreditar que ele tenha sido executado somente por causa disto. Logo, se pressupõe que ele tenha sido vítima de uma série de infelizes coincidências que não lhe deram a menor chance diante das pistolas dos agentes ingleses.

Qualquer um naquele dia poderia ter sido a vítima escolhida, mas infelizmente foi um brasileiro, lutador e trabalhador que buscava uma condição melhor de vida para si e seus parentes.

Fosse o Brasil esplêndido em todos os sentidos, e não precisaríamos deixar o nosso chão para nos aventurarmos e passarmos por privações e humilhações em terra estrangeira. Fossem as autoridades e os governantes brasileiros honestos em todos os seus princípios e atitudes, e não haveria a necessidade de nos sujeitarmos ao primeiro emprego que aparecesse na frente e que renderia uns trocados a mais no fim do mês.

Por outro lado, o terrorismo como forma de intimidação, principalmente o que visa colocar o mundo civilizado de joelhos diante do fanatismo religioso, numa nova e perigosa ordem, que torna alguns lugares perigosos de se viver.

Nestes dois anos que se passaram da sua morte, Jean Charles continua insepulto e ao que parece a sua morte ficará impune, pois ele era o homem errado, na hora errada e no lugar errado. Só os policiais que o mataram e a voz de comando que ordenou a execução é que não viram. Ou não quiseram ver.
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Comentários. Deixe o seu!

3 comentário(s)
Wilson - Brasil
10/19/2007 10:20:09 PM
Os diferentes conceitos e opiniões me forçam a acreditar que o recurso humano da BR NEWS é bastante heterogênico.A algumas edições atrás comentei sobre um jovem brasileiro chamado Maxwell Medeiros que morreu sob a custódia da polícia de Massachusetts.Se os amigos tiverem a curiosidade de lêr está agora na página 3 sob o título "Mais um brasileiro morre sob a custódia da polícia".Pois bem.Ao lêrem a citada matéria alguns poderão perguntar o que um fato tem a ver com o outro.Mas ao lêrem o comentário na parte que fala sobre"O caminho mais fácil" o leitores entenderão como as coisas podem acontecer fugindo ao nosso controle.Mas então analizemos o texto acima por partes e constataremos algumas informações no mínimo improváveis.Não é possível crêr que os policiais atiraram no jovem brasileiro por ele se parecer com um cidadão de origem árabe.Os senhores devem concordar comigo que existem poucas cidades no mundo onde há uma diversidade étnica maior que Londres,portanto os policiais com certeza não se baseariam nisso para uma ação de execução.Talvez em países como Finlândia,Dinamarca ou Noruega entre outros se justificasse esse pensamento pois quase inexiste a micigenação ou um número tão grande de imigrantes.Também acredito que o jovem tenha sido vítima de uma série de coincidências mas com certeza se ele estivesse legal no país teria esclarecido prontamente a todas as dúvidas dos agentes sem nenhum tipo de susto ou desobediência(como provavelmente ocorreu)e o pior teria sido evitado.Para concluir, as munições usadas pela força de assalto inglesa,e de qualquer outra no mundo,são aquelas com orifícios na ponta do projétil e visa a maior segurança das pessoas que estão na linha de tiro do suspeito pois ao atingir o alvo não transfixará o corpo atingindo quem está atrás(O que é bem provável acontecer dentro de um metrô).Ela permanece dentro do corpo atingido.Portanto ela não tem nada de "paralizante que não permite a menor reação".O jovem Jean continuará insepulto enquanto seu nome vender notícias editadas por leigos e para leigos.Vamos sepultá-lo para ele descançar em paz???
 
Jehozadak Pereira -
10/20/2007 2:38:04 AM
Talvez, o nosso amigo Wilson, deveria ler mais acerca da morte de Jean Charles de Menezes. É notório que ele foi morto por causa da sua aparência, tanto que foi confundido com Hussain Osman, um terrorista, que pelo nome não deve ser de origem nórdica ou saxão. Fosse Jean Charles um imigrante nórdico ou saxão e não teria sequer sido abordado, e fico imaginando como seria se os policiais que o executaram, lhe pedissem os documentos e ele tivesse a seu status legal na terra da Rainha. Como seria? Quanto as balas de ponta oca, são usadas primordialmente para tirar qualquer tipo de reação de quem é atingido, com o efeito de "stopping power", ou numa tradução livre "poder de parada". Seria bom se o nosso amigo Wilson, se desse ao luxo de ler sobre o assunto e não passaria, ele sim, por um leigo desinformado. Quanto a Jean Charles de Menezes, ele continua sim, um cadáver insepulto, principalmente enquanto não for devidamente esclarecido os reais motivos da sua morte, se é que um dia será...
 
Wilson - Brasil
10/20/2007 12:26:16 PM
Jehozadak.Quando eu citei esses países nórdicos foi para explicar que havendo tantas pessoas com aparências diversas em Londres esse ítem isoladamente não justificaria o desfecho do caso.Seu comentário carece de argumentos.Você diz que se ele fosse imigrante nórdico ou saxão ele sequer teria sido abordado.Baseado em que você faz uma afirmação dessas?Existem muitos colaboradores de terroristas nos EUA e Inglaterra ou qualquer país do mundo.Todos sabem disso(ou quase todos).As autoridades também.Portanto se um saxão sair de um local suspeito ele não vai abordado porque tem os cabelos loiros?E o que seria se os policiais tivessem constatado que ele estava legal no país?Será que ele permitiu os policiais conversarem com ele?Você permitiria?Voltando às munições que você citou "stopping power"ou"poder de parada",esse poder de parada não se refere ao alvo atingido e sim à própria munição em sí.Como você diz "pontaoca",ela pode ser achatada também pois seu único objetivo é não transfixar o alvo(atravessar).Nisso por consequência e por ordem natural da física o alvo sente um impácto maior,mas nada além disso.Existe também a munição de fragmentação no interior do alvo.Essa ao atingir o alvo se divide em quatro partes.Saiba que já atirei inúmeras vezes com esse tipo de munição.Fiz curso com instrutores que fizeram estágio na SWAT sobre o assunto.Esse foi o primeiro comentário meu que você leu?Se foi procure lêr com mais atenção.Você é de Atlanta também?
 

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