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5/1/2008 - 3:43

Um povo sem voz


Fonte: Agência BR NEWS

Imaginemos que, um dia qualquer, as autoridades americanas convoquem para conversar a nossa maior liderança. Certamente, vão ficar esperando sentados até que as inúmeras pseudo-lideranças que se digladiam decidir quem é o legítimo representante da comunidade brasileira.



Definitivamente, somos um povo sem voz. Um povo sem representatividade, um povo sem liderança, um povo largado à própria e triste sorte. Será que não há uma única pessoa capacitada para assumir este papel? Há, sim. Mas eles estão tão envolvidos com as coisas cotidianas que não se dão conta de que podem ser o líder que a comunidade tanto necessita.

É certo que muitas das figuras que se dizem líderes estão em evidência na mídia e costumeiramente recebem prêmios, o que é justo para o – pouco – trabalho que fazem. Mas nem de longe representam os reais interesses da comunidade tão carente em todos os aspectos.

Talvez não assumam o papel por falta de preparo, pois ser líder de verdade não é para qualquer um, ou seja, não é para quem quer e sim para quem já é talhado para isto.

Certamente um grande empecilho para que se assuma o posto – além de gente capacitada, é o fato de que não há uma remuneração a altura para quem assumir o posto, afinal ninguém vive de brisa. Mas de onde sairiam os recursos necessários para bancar o ocupante do cargo? Da própria comunidade.

Mas como tirar ou captar recursos de uma comunidade desconfiada e arredia quando se trata de colocar a mão no bolso? Fazendo um trabalho de convencimento mostrando as vantagens de ter alguém à frente de uma entidade que lute pelos nossos direitos e que nos oriente dos respectivos direitos.

Quem seria este líder? Mas, e os representantes legais do governo brasileiro que são os embaixadores que exercem os cargos consulares, ou mesmo o embaixador brasileiro em Washington? Alguém por acaso sabe o nome do atual embaixador brasileiro junto ao governo americano? E o nome do atual cônsul regional? E do antecessor?

Na maioria das vezes, eles estão envolvidos com atividades burocráticas ou comparecendo a algum rapapé de ocasião. Além de serem legalistas ao extremo pela própria imposição e liturgia do cargo que ocupam. Ou seja, quando ouvirem um não virarão as costas e irão embora.

O nosso líder tem de conhecer profundamente a comunidade além de ser oriundo dela, e de preferência ter passado pelas mesmas agruras da maioria dos nossos patrícios. Que tenha comido o pão amassado pela saudade, pela dor da distância dos parentes, amigos e da terra querida, que tenha uma boa visão do mundo, principalmente das boas coisas e das mazelas da América. O nosso líder tem que ser um ativista, principalmente tem que saber a diferença entre uma coisa e outra.

A diferença entre ser ativista ou ser líder tem representado muito para a comunidade brasileira, pois o que não falta são candidatos a líder que não querem assumir um ativismo pleno; sabe-se-lá os verdadeiros motivos. Muitos dos líderes comunitários brasileiros nos Estados Unidos se dizem ativistas, sem conhecer direito o que faz de fato um ativista.

A nossa liderança precisa entender – e aprender – urgentemente que a diferença entre ser ativista e ser líder pode significar o sucesso ou o fracasso, a vitória ou a derrota, a conquista ou a ignorância. Precisamos de ativistas no sentido amplo do termo e não de líderes que pensam unicamente nos seus projetos pessoais e, às vezes, nos seus negócios.

Precisamos de ativistas que não usem os seus programas de rádio, os seus espaços na imprensa, ou as suas áreas de influência cuidando das mesmas coisas semanas após semanas, e sim que usem estes de todas as oportunidades para dizer ao nosso povo o que fazer e como agir. Precisamos de um líder que finalmente seja a voz que tanto carecemos.
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