Vai Thiago! Vai Thiago! Os gritos de D. Rose incendiaram literalmente o Parque Aquático Maria Lenk, onde foram disputadas as provas de natação nos Jogos Pan Americanos no Rio de Janeiro. E Thiago Pereira, o filho de D. Rose, ganhou seis medalhas de ouro e uma de bronze, quebrando o recorde de Mark Spitz que durou quarenta anos.
Thiago Pereira e D. Rose simbolizam a parte da sociedade brasileira que não dependem em nada do governo federal, ou de qualquer ajuda ou subvenção social.
Se uma pesquisa for feita com quem ganhou medalhas de qualquer tipo nos Jogos Pan Americanos, sobre qual tipo de ajuda ou patrocínio federal, vai se chegar a conclusão de que nenhum deles ganhou um centavo sequer dos cofres públicos. São os eternos abnegados que antes de qualquer coisa acreditam em si mesmos, que alimentam durante anos os seus sonhos pessoais, que lutam contra tudo e contra todos na busca dos seus objetivos.
São pessoas que fazem do esporte uma forma de inclusão social, a exemplo do que acontece nos Estados Unidos, em muitos países da Europa, na Ásia e até na Ilha de Cuba, para quem o esporte é uma questão de estado.
Já no Brasil, há progressos consideráveis em muitos esportes, como a ginástica olímpica, o vôlei masculino cuja seleção é super-campeã, e Bernardinho o seu exigente técnico é o profissional mais vezes campeão nos últimos dez anos. Já as seleções de basquete não conseguem sair do lugar há anos, desde que a geração de Hortência, Paula e Marta, Oscar, Marquinhos e Carioquinha se aposentaram, e com o final de carreira de Janeth Arcain, ganhadora da medalha de prata no Pan. Mesmo tendo um nível de excelência notável, com jogadores do nível de Leandrinho, Anderson Varejão, Baby e Nêne, que jogam respectivamente no Phoenix Suns, Cleveland Cavaliers, Utah Jazz e Denver Nugets, na poderosa e milionária NBA.
As ligas estaduais de basquete no Brasil são insignificantes e quase falidas. A cada ano, essas modalidades exportam mais jogadores para o exterior, a exemplo do futebol feminino, cujas estrelas como Marta, apontada pela FIFA como a melhor jogadora em 2006, estão bem distantes das terras brasileiras. A modalidade se divide em duas classes: a de jogadoras que estão no exterior e conseguem ganhar num ano, o que não ganhariam na carreira toda, e outra categoria das jogadoras que ficaram no Brasil e padecem sem apoio, ganhando salário mínimo – quando recebem.
Investir no esporte dá resultados, pois a intenção de quem acredita é formar pessoas de caráter e depois em atletas prontos a ser campões, tal como a ginástica olímpica que revelou para o mundo o talento de Daiane dos Santos, os irmãos Hipólyto – Diogo e Daniele e Jade Barbosa que encontrou no esporte uma forma de superar o trauma da morte de sua mãe.
Nestes Jogos Pan Americanos, outros nomes desconhecidos do grande público se destacaram e saíram do anonimato como Yane Marques do Pentatlo moderno, Diogo Silva do Tae kwon do, que para poder treinar em tempo integral vendeu o carro e a exemplo de Yane ganhou uma merecida – e suada – medalha de ouro. Tem ainda Poliana Okimoto, da Maratona aquática, que perdeu a medalha de ouro por um detalhe e assim como Nathalia Falavigna, do Tae kwon do, chorou amargamente.
Cada um destes atletas tem a sua história de vida que nos serve de exemplo, nestes dias tristes provocados pela tragédia da aviação civil. E é por isto que os gritos de D. Rose, mandando o Thiago ir e vencer, serve de alento, nos fazendo ver que há um Brasil pujante e forte, mostrando que antes de tudo o brasileiro é sim um forte e não desiste nunca. Ainda bem!