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1/3/2008 - 17:13

Vítima de tigre na Califórnia era filho de brasileira


Fonte: Agência BR NEWS

Da redação com agências

Carlos morreu no dia de Natal, após ter sido atacado por um tigre num zoológico de São Francisco.



Carlos Sousa Júnior, de 17 anos, morto por uma tigresa no dia de Natal no zoológico de São Francisco era filho de uma brasileira e de um português que vivem nos Estados Unidos. Ele foi atacado pelo animal quando visitava o zôo com dois amigos, que também foram feridos. A polícia investiga a hipótese de os rapazes terem provocado a tigresa.

Chamada Tatiana, a tigresa era separada do público por uma larga cerca de metal e um fosso de 8 metros de largura. A polícia investiga como o animal pôde fugir sozinho. Com 136 quilos de peso, o tigre já havia atacado o braço de um tratador quando era alimentado em público, no ano passado.

Filho de brasileira, Carlos estava terminando o colégio e morava em San José. Seus dois irmãos mais velhos – Beatriz, de 28 anos, e Leonardo, de 21 anos, nasceram no Brasil. Somente ele nasceu depois que sua mãe, Marilza, já havia imigrado para os EUA. "Ele adorava rap e queria ser cantor", conta Beatriz. "Ele foi viajar com seus dois melhores amigos, com quem compunha suas músicas. Os rapazes sempre se juntavam para cantar".

A família do rapaz, que só descobriu que o garoto morto era Carlos cerca de 24 horas depois do incidente, procura respostas para entender como ele foi atacado pelo tigre. “O Carlos não estava com nenhum documento. Os meus parentes do Brasil e de Portugal souberam que o Carlos era a vítima antes da gente”, afirmou Leonardo. “Fiquei sabendo pela polícia que eles provocaram o tigre, que atacou um deles primeiro e depois atacou o Carlos. Mas nessa hora eles fugiram e deixaram o meu irmão sozinho”.

Estado de choque

A brasileira Marilza Sousa, mãe de Carlos, ainda está em estado de choque. Segundo ela, o filho teria sido morto quando tentava defender um amigo, de origem indiana, que teria sido a primeira vítima do animal. Como foi atingido no pescoço, Carlos não resistiu ao ataque. Os dois amigos que estavam com ele conseguiram fugir, foram hospitalizados, mas, segundo Marilza, não correm risco de morte.

“Fico orgulhosa de saber que ele tentou ser um herói, mas nós ensinamos que ele também tinha que se defender”, lamentou. “Ele era um menino, uma criança, estava começando a viver. Era muito brincalhão, cheio de vida. Isso dói ainda mais”, disse.

Ela afirmou que recebeu as informações sobre como teria acontecido o ataque através de interlocutores enviados pela família para conversar com os jovens. Os pais de Carlos Júnior foram de San José para São Francisco, a fim de conseguir a liberação do corpo do adolescente. O enterro estava previsto para o início desta semana.

Marilza disse que a família ainda não sabe como vai agir em relação ao zoológico e evitou questionar a segurança do parque, de onde o tigre conseguiu escapar de sua jaula. “Estamos conversando com nossos advogados. Muita gente está interessada em assumir o caso”, afirmou.

Tigresa teria sido provocada

De acordo com o jornal San Francisco Chronicle, a polícia encontrou sangue e um sapato dentro da jaula da tigresa Tatiana, e agora investiga a possibilidade de que uma das vítimas tenha colocado uma perna dentro do fosso, "ajudando" o animal a escapar.

O corpo de Carlos foi encontrado próximo ao fosso de separação. Ele foi morto por um corte da garganta. As outras duas vítimas, dois irmãos de 19 e 23 anos, que visitavam o zoológico com Carlos, estavam presentes no momento da fuga do animal. "As vítimas feridas fugiram, deixando um rastro de sangue, e a polícia acredita que a tigresa os tenha perseguido por cerca de 300 metros", diz a reportagem. "Alguém criou uma situação que a irritou muito e a motivou a escapar", observa Manuel Mollinedo, diretor do zoológico de São Francisco, em declaração ao jornal americano.

Mollinedo reconheceu que a parede do recinto onde estava a tigresa era baixa demais. A altura de 3,81 metros estava abaixo do estipulado pela Associação de Zôos e Aquários (AZA) dos Estados Unidos, que recomenda um mínimo de cinco metros.
A reportagem também diz que pinhas e gravetos encontrados no fosso podem ter sido jogados contra o animal. "Esses objetos não teriam como chegar ao fosso naturalmente", de acordo com as fontes.

Mesmo assim, o chefe de polícia Neville Gittens alerta que "não havia razão para pensar que as vítimas estavam provocando o tigre". Os dois sobreviventes se recuperam em um hospital em condição grave, mas estável.
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